alleycat-race-curitiba

De tempos em tempos eu busco algum esporte que aumente muito os meus níveis de adrenalina, afinal esporte sem risco não tem graça. Meus pinos de titânio e placas pelo corpo confirmam esta minha tese. Ultimamente tenho que viajar para praticar algum esporte radical, pois pratico kitesurf e snowboard (se bem que este ano estou inclinado a mudar para o esqui pela sua velocidade). O grande problema de morar em Curitiba é justamente este, a falta de locais para se praticar esporte verdadeiramente radicais. Certo? Errado. Esta sexta-feira eu participei de uma das corridas mais alucinantes da minha vida, a Alleycat Race Curitiba. Mas o que vem a ser uma Alleycat Race?

Histórico

Alleycat Race é uma corrida de bicicleta informal e ilegal. Ela é comum na Europa e nos Eua, pois é realizada pelos mensageiros de bike (os motoboys de lá). A primeira Alleycat foi realizada em 1989 em Toronto. De lá pra cá este tipo de corrida se espalhou pelo mundo. Na Alleycat não há regras e as ruas não são fechadas. Cabe ao competidor escolher a melhor rota entre os pontos definidos antes da prova. Ganha quem chegar antes. Simples assim.

Tipos de corridas

Checkpoints: o primeiro checkpoint é dado no início da corrida. Quando você chega em um checkpoint é revelado o próximo destino. E assim vai até a chegada.

Task Checkpoints: em algumas corridas o competidor tem que executar alguma tarefa ou truque em cada checkpoint para receber a localização do próximo checkpoint.

Checkpoints Up Front: neste estilo o competidor recebe o local de todos os checkpoints antes da prova iniciar. E cabe a ele definir o trajeto para fazer o percurso. Foi este estilo que eu participei na última sexta-feira.

Point Collection: aqui o competidor recebe pontos em cada checkpoint. Com um determinado número de pontos ele pode retornar a linha de chegada. Quem retornar primeiro ganha.

Alleycat Race Curitiba

O trajeto escolhido para a primeira Allycat Race em Curitiba foi relativamente curto. Largamos no ponto A. Os checkpoints estavam nos pontos B, C, D e E. E retornamos no mesmo lugar num total de 4,5 km. Agora vem a parte legal. Largamos no meio da cidade em horário de pico total. Carros, ônibus e pessoas eram nossos obstáculos. Adrenalina total em meio aos carros e pessoas. Me senti em um Need for Speed Underground real.

Um dos participantes deu a seguinte descrição para o evento:

Pra quem perdeu, entenda o que foi essa insanidade nas palavras do Cooper:

Cara… Prá quê pedra quando se tem alley cat? É a droga mais forte do mundo!

Saldo: Nenhum morto, alguns retrovisores quebrados, uma lanterna de ônibus quebrada, alguns pneus furados, diversão pra caralho e vontade de já fazer outra!

O depoimento completo sobre a corrida pode ser visto no Roda Fixa Curitiba.

Ainda não entendeu o que é uma Alleycat? Veja este vídeo de uma que ocorreu em Londres alguns anos atrás. A de Curitiba teve o mesmo nível de insanidade.

Na minha escala pessoal de desafios interessantes a Alleycat tem a seguinte classificação:

  • Nível de Insanidade: 10
  • Risco de Morte: 8
  • Diversão: 10
  • Desafio: 10
  • Desrespeito pelas leis: 10

Finalmente eu encontrei algum desafio que valeu a pena em Curitiba. Estou contando os dias para a próxima. E parabéns ao pessoal da Roda Fixa Curitiba pela organização do evento.

Be wise.

snowboard_extreme_valle_nevado_chapelco_bariloche

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Quem me conhece sabe o quanto eu gosto de esportes e viagens. Como de costume já planejei minhas viagens para praticar snowboard este ano. Sempre que eu conto sobre alguma viagem que eu fiz me perguntam porque eu não convidei. Então resolvi fazer um post avisando as datas prováveis das próximas viagens. Quem quiser ir me manda um email pelo formulário de contato.

Agora na metade de junho se inicia a temporada no Valle Nevado. Pra quem não sabe o Valle Nevado fica a uns 60 km de Santiago no Chile. Na minha opinião é uma das melhores estações de esqui do sul do mundo. Literalmente. Já programei a minha ida para a abertura da temporada. De 17 a 21 de junho.

A segunda viagem deve ocorrer no final de julho ou início de agosto. Ainda não tem definido o destino. Talvez Valle Nevado ou Bariloche na Argentina.

E a terceira viagem já está confirmada. Será na primeira semana de setembro para Chapelco na Argentina. Chapelco fica a uns 160 km de Bariloche.

Se você nunca esquiou aqui vai uma lista do que é importante levar:

  • Protetor solar
  • Protetor labial
  • Anti-inflamatórios
  • Hidratante
  • Muita água (se possível leve uma camel bag)
  • Barras e gel energéticos
  • Seguro especial pra esportes radicais
  • Capacete
  • Bandana
  • Goggles
  • Snowboard
  • Ipod com o seu setlist preferido

Santiago no Chile é um dos melhores locais para se comprar equipamentos e roupas de frio. Os preços são ótimos. Se você está pensando em comprar equipamentos não perca tempo procurando. Vá direto na La picá del ski. Os descontos lá são muito bons. Outra dica é visitar o shopping Las Condes. É um shopping mais caro, mas muito legal de conhecer.

Agora a pergunta fatídica. Quanto sai a brincadeira? Depende muito de onde você vai ficar. Mas para se ter uma noção em uma viagem de para esquiar você vai gastar entre US$ 700,00 e US$ 2000,00. Nesse valor estão inclusas as partes aérea, hospedagem, translado, seguro e lifts.

Uma última dica. Se você puder optar pela companhia aérea escolha a TAM ou a LAN. Evite ao máximo a Gol, pois ela cobra uma taxa de R$ 100,00 por trecho para transportar seu equipamento de esqui ou de snowboard.

Be wise.

machu_picchu

machu_picchuComo você planeja uma viagem? Bom, eu tenho um modo muito peculiar de planejamento de viagem. Decido o lugar e vou. Com o mínimo de informações possíveis. Por que eu faço isso? Simples, porque gosto de emoção. Não tenho nada contra quem gosta de planejar com antecedência para minimizar os imprevistos. É muito mais divertido lidar com eles do que tentar anulá-los. Viajar assim é legal pois você acaba por ter que resolver os pequenos obstáculos no meio da viagem e de forma imediata. E no final das contas são estes pequenos obstáculos que serão contados e lembrados no futuro.

Semana passada resolvi viajar para Lima no Peru. E aqui vou relatar os pontos mais legais da viagem. Tudo começou com uma sexta-feira normal em Curitiba. Bate papo com o pessoal do EBC no estação. Depois uma sinuca com alguns marginais de primeira. Baladinha no Vox. Passagem pelo underground curitibano e enfim para casa. Quando chego em casa vejo que tem um email com promoção de passagens da TAM. Chamo um amigo no msn e a conversa que se segue é a seguinte:

Slonik: tae?
Fernando: to… inclusive to quase comprando uma passagem pra Lima
Slonik: Baratinha a passagem
Fernando: Vamos junto???
Slonik: hum
Slonik: Vai fazer o que lá?
Fernando: pegar uma balada…. huahauhauhuaah
Slonik: HUAHAUHUAHUA (isso significou um sim na minha concepção então emiti dois bilhetes)

Após este pequeno diálogo eu realmente emiti as passagens e fui dormir, afinal tinha menos de 24 horas até a partida do vôo. No meio da tarde meu comparsa me liga e diz que precisávamos de vacina de febre amarela. Primeiro obstáculo a ser vencido antes mesmo de embarcar pro Peru. Achamos um posto de saúde 24 horas e lá fomos nós tomar a vacina obrigatória (na verdade mais tarde descobrimos que ela deixou de ser obrigatória).

Partimos de Curitiba rumo a Lima no domingo pela manhã. Ao chegar em Lima tentamos fazer conexão para Cuzco no mesmo dia, mas não havia mais vôos neste dia. Na verdade nossa primeira intenção era alugar um carro e ir até Cuzco por terra. Desistimos quando nos disseram que a distância entre as duas cidades era de 1200 quilômetros. Compramos as passagens na StarPeru (uma espécie de Pantanal peruana muito, mais muito piorada). Ainda no aeroporto decidimos alugar um carro e procurar um hotel para ficar.

Alugamos um Kia Picanto genérico. Eu nunca tinha visto um carro tão pequeno. Enquanto eu pilotava o Slonik navegava com o auxílio do GPS. E lá fomos nós nos aventurar pela cidade de Lima. Neste meio tempo descobrimos que era necessário pegar um trem de Cuzco para Machu Picchu. E lá fomos nós resolver mais este obstáculo. Chegamos no Larcomar e lá reservamos nossos lugares no trem. Ainda deu tempo de sair tomar um Pisco Sour na noite de Lima.

Segunda-feira voltamos para o aeroporto e embarcamos rumo a Cuzco. Chegamos a Cuzco sem saber onde iríamos ficar. No aeroporto mesmo resolvemos mais este obstáculo. Pegamos uma van e fomos para o hotel. Minha cabeça estava explodindo por causa da altitude. Cuzco fica a 3500 metros acima do nível do mar. No hotel nos ofereceram o famoso chá de coca. Foi o que salvou o dia, pois a cabeça parou de doer na hora. Ainda no hotel acertamos os últimos detalhes para pegar o trem rumo a Machu Picchu no dia seguinte. Tiramos a segunda para passear em Cuzco e relaxar. A noite resolvemos sair. Por ser uma segunda-feira achávamos que não ia ter nada aberto. Que nada. Foi a balada mais legal que eu peguei na minha vida. Girls gone wild on E! literalmente. Slonik que o diga. Tomamos uns 12 Pisco Sour por baixo. Isso numa segunda-feira. Depois descobrimos que todos os dias são assim em Cuzco, pois é o destino mais visitado da América Latina. Tem para todos os gostos: latinas, americanas, húngaras, francesas, alemãs, italianas, name it. Sabe que após uns 10 Piscos Sour você pode começar a ver coisas. E não é que eu vi um Coxa Branca perdido lá? Até conversei com o cara. A hora teimava em não passar para a minha sorte. Depois descobri que era por causa das duas horas de diferença de fuso horário.

Terça partimos com o que sobrou da carcaça para Machu Picchu. São 4,5 horas de ida e mais 4,5 de volta com um trem nível américa latina. Quando o trem para ainda é preciso pegar um ônibus para subir até as ruínas. São mais 30 minutos de viagem. A nossa demorou um pouco mais porque nosso ônibus quase despencou precipício abaixo por uma imprudência do motorista. O Slonik filmou as tiazinhas gritando de desespero. Eu tive um acesso de riso com misto de preocupação. Por sorte só uma roda ficou para fora da estrada e o motorista fez uma manobra para evitar a queda.

Finalmente chegamos nas ruínas. Eu não tenho palavras para descrever o que eu vi e o que eu senti. Fui pegar uma balada em outro país e acabei com uma experiência espiritual única na bagagem. Valeu cada emoção vivida para chegar lá. Muitos diriam que foi uma viagem ruim e com vários problemas. Pois para mim foi uma das viagens mais legais que eu fiz. Não sei você, mas eu não consegui ver nenhum obstáculo ou problema nesta aventura. Ter problemas ou obstáculos nesta vida é a coisa mais natural do mundo. Ser vencido por eles é opcional.

Entre aviões, trem e ônibus gastamos 25 horas em viagem para chegar a Machu Picchu e ficar lá somente 4 horas. Você pode perguntar se valeu a pena. Eu diria que valeu cada segundo. Inclusive quero voltar para lá, mas desta vez fazer a Trilha Inca que é um caminho a pé que vai de Cuzco até Machu Picchu. Ela possui uma extensão de uns 70 quilômetros e leva em torno de 4 dias para ser feita.

Uma dica. Da próxima vez que você for comprar um pacote de viagem em uma agência de turismo pense duas vezes se vale a pena fazer tudo certinho e com segurança como todo mundo faz. Ah, e se quiser participar da minha próxima aventura é só deixar seus contatos pelo formulário de contato. Mas eu já vou avisando que você pode receber uma ligação minha às 4 da manhã convidando para ir a algum lugar pitoresco pegar uma balada. E eu não aceito um não como resposta. ;)

Be wise.

Época de férias é época de colocar a leitura em dia. Tenho mergulhado nos livros como louco neste último mês. E separo aqui os que eu acho que podem somar na formação de um empreendedor. Esta dica de livro é em inglês, pois ainda não foi traduzido para o tupiniquim. O nome do livro é The Da Vinci Method. Tem na Amazon e na Livraria Cultura (custa uns 45 dólares na Cultura). Na Amazon está mais barato. Eu sugiro inclusive comprar outros livros juntos para economizar no frete. E sim. Meu código de afiliado está nele. ;)

O livro aborda como pessoas com traços de TDAH podem usá-los de forma positiva. O autor se baseia na Teoria do Desejo de Otto Rank. Quando eu li este livro senti que estava lendo um manual de instruções. Foi incrível como muita coisa começou a fazer sentido na minha vida. Descobri porque meu pensamento é tão diferente da esmagadora maioria das pessoas. Espero que este livro ajude a traçar o seu próprio caminho. Eu inclusive traduzi o prefácio a algum tempo atrás.

Be wise.

Não é a toa que dizem que a voz do povo é a voz de Deus. Muito blogueiro metido a mãe Diná já estava prevendo algo assim. Acho que é a primeira vez em todo mandato do grande molusco que o povo (leia-se aqui a classe média, pois era preciso pagar para entrar na cerimônia de abertura) conseguiu expressar o que realmente sente pelo mandatário da república das bananas. Segue um vídeo com os melhores momentos da abertura do Pan 2007.

Be wise.

Update:
Acabei de achar uma ótima dica de souvenir para o Pan. Vi lá no Cardoso.

pan.jpg
O Pan está chegando. Grande coisa! Uma coisa que me irrita no modo como estão fazendo as coisas é achar que o Pan é a Olimpíada. Não é não. O Pan é uma competição menor. Muito menor diga-se de passagem. No Pan não são quebrados recordes mundiais. As marcas atingidas pelos atletas no Pan são normalmente medíocres. Isso quer dizer que eles são ruins? Absolutamente (adoro esta palavra, pois ela não quer dizer nem sim e nem não). O problema é que os países sérios usam o Pan como uma preparação para as Olimpíadas. Provavelmente em 2012 veremos vários atletas americanos e canadenses que participaram do Pan do Brasil ganhando medalhas olímpicas.

Mas por que isso não ocorre com os atletas brasileiros? Simples. Porque estamos mais preocupados em mostrar aos outros que podemos sediar uma Olimpíada do que realmente investir em estruturas para os atletas. Grande coisa é sediar uma Olimpíada e não ter atletas de nível com chances reais de medalhas. Isso é hipocrisia. Pior, hipocrisia com dinheiro público. Se todo esse orçamento para trazer o Pan tivesse sido investido em infra-estrutura para os atletas, com certeza teríamos muitas medalhas nas Olimpíadas. Não consigo lembrar de centros de excelência de esportes olímpicos com exceção do vôlei de quadra e da ginástica olímpica. De resto temos atletas excelentes mas com uma estrutura totalmente amadora. Alguém já viu o centro de excelência da luta greco-romana? Ou do levantamento de peso? Ou do boxe? Nem eu.

Alguns pontos que me fazem ter certeza que nós somos índios querendo ser europeus:

  1. O Pan me lembra aquela pessoa que se afunda em dívidas só para comprar um carro importado para mostrar para os outros. Na hora impressiona, mas é bom lembrar que as visitas uma hora vão embora só que a fatura fica.
  2. Eu estive presente no Pan de Winnipeg (cidade com 600 mil habitantes) em 1999. Lembro que quase nada foi construído. Eles só reformaram alguns locais para o evento, pois eles sabiam que o Pan era um evento menor. E o Canadá não parou porque o Pan estava ocorrendo em Winnipeg. Inclusive quase nenhuma notícia era exibida nas televisões das outras províncias.
  3. Para fazer uma comparação, a próxima Olimpíada de inverno ocorrerá em Vancouver, no Canadá. Eles estão construindo alguns locais de competição e reformando outros. Vancouver está para Winnipeg assim como o Rio de Janeiro está para Joinville.
  4. Quando eu escuto que o Pan é o maior evento esportivo das américas eu tenho mais certeza que o brasileiro é um povo totalmente ignorante. De cabeça entre os eventos mais importantes das américas eu consigo pensar na America’s Cup, no US Open e no US Open de tênis. Isso sem falar na NBA, na NFL e na NHL. Cada um desses eventos realizados nas américas é, sozinho, muito mais importante que o tal do Pan. O Pan é a Olimpíada dos pobres; dos fracassados.
  5. Com muito menos dinheiro poderíamos investir em centros de excelência para esportes olímpicos, mas aí teríamos dois problemas. O primeiro, seria mais difícil fazer o desvio de verbas. Segundo, os políticos não teriam nada para apresentar de concreto antes de finalizar seus mandatos para os otários, digo, para o povo brasileiro.

Mais uma vez temos que agradecer aos bons préstimos dos nosso ótimos políticos por mais essa grande contribuição ao país.

Be wise.

O Goitacá está fazendo uma promoção onde se deve contar os piores erros cometidos em viagens. Eu resolvi aderir à promoção, quem sabe eu ganho alguma coisa. Se não ganhar pelo menos conto uma estória divertida para você. ;)

A estória que eu vou contar é verídica e nenhum animal foi ferido durante ela (ok, eu passei um pouco de frio, mas foi só). Fui fazer intercâmbio no Canadá quando estava na faculdade. Era a minha primeira viagem internacional de verdade (Paraguai não conta!). Lá estava eu no aeroporto de Curitiba rumo a Winnipeg, para muitos conhecida também com Winterpeg (mais tarde acabei descobrindo o porque do trocadilho). Enfim, estava eu fazendo o check-in no aeroporto e a atendente começou a me dar algumas instruções. Dentre elas uma que eu fiquei meio preocupado no começo, mas depois até achei bom. Ela me disse que a cia aérea iria despachar as minhas bagagens diretamente para Winnipeg. Que não era para eu me preocupar com elas na alfândega. Como bom marinheiro de primeira viagem eu acreditei nela. E lá fui eu embarcar para o meu ano de estudos no Canadá.

O avião saiu pontualmente no horário marcado (sim, isso já ocorreu em um passado distante no Brasil) e fui rumo a Winnipeg com escalas em Nova Iorque e Toronto. Ah, esqueci de contar que tinha comprado uma passagem na classe econômica, mas como não havia vaga me realocaram na classe executiva. E lá fui eu feliz e confortavelmente instalado na executiva. O avião estava cheio de brasileiros e em uma das minhas andanças pelo avião cruzei com uma garota (sempre elas) que coincidentemente tinha saído de Curitiba. Começamos a conversar e perguntei onde ela estava. Ela apontou pra a classe econômica. Aí como eu estava disposto a “desempenhar” fui até a econômica e sugeri que a pessoa que estava do lado dela fosse para a executiva. Claro que ela topou na hora. E lá fui eu tentando “finalizar a menina” no vôo todo. Nada de eu me “dar bem”. Quando pousamos em Nova Iorque grande parte dos passageiros desembarcou e nós ficamos no avião. Outros passageiros embarcaram e no lugar que eu estava veio um negão muito mau encarado com uma camisa do New York Knicks (com certeza o cara morava no Harlen ou no Bronx) e começou a me xingar porque eu estava no lugar dele. Como meu inglês era horrível na época eu não consegui fazer com que o cara fosse ficar na executiva. Morreu aí minha chance de ficar com a menina.

Eu já estava puto e pensando que nada pior poderia acontecer. Foi aí que desembarcamos em Toronto. Todo mundo estava apreensivo para passar pela alfândega, inclusive eu. Reparei que todo mundo estava carregando as suas bagagens, menos eu. Neste momento eu pensei: “Que bando de otários. Porque não despacharam as bagagens até o destino final como eu? Enfim, como diria o grande Bezerra da Silva, malandro é malandro e mané é mané!” E lá fui eu para a fila da alfândega. Quando eu estava na fila reparei lá ao fundo na esteira de bagagens que tinha sobrado duas malas que ninguém havia pegado, inclusive uma delas estava com uma fita azul muito parecida com a que eu tinha colocado na minha mala. Pensei novamente: “Quem será o imbecil que viaja para o exterior e esquece as malas na alfândega. Este tipo de gente merece se ferrar.”

E lá fui passar pela alfândega. Passaporte carimbado e eu estava oficialmente no Canadá. Agora o bicho ia pegar, pois não tinha mais ninguém para me dar informações em português. Levei uns 40 minutos para conseguir descobrir em qual terminal eu deveria pegar o vôo para Winnipeg pela AirCanada. Finalmente consegui embarcar no avião. Lembro que a aeromoça veio gentilmente oferecer o serviço de bordo. Ela falou um monte de coisas das quais as únicas que eu entendi foram chicken or meat. Mandei um chicken e aí ela me falou mais algumas coisas. E eu em uma tentativa arriscada de adivinhar o que ela tinha me perguntado respondi Coke. Então após alguns minutos chegou o meu almoço. Um prato delicioso com um peito de frango assado e uma coca-cola. Neste momento eu pensei: “O pior já passou. Estou me dando bem. Agora é só alegria.”

Finalmente o avião chega em Winnipeg. A temperatura absoluta naquele momento era de -36 graus Celsius. Levando-se em conta que eu tinha saído de Curitiba com +30 graus você pode imaginar como eu estava totalmente preparado para o frio. E lá fui eu buscar as minhas bagagens na esteira do aeroporto de Winnipeg. Como você leitor deduziu nos parágrafos anteriores é ÓBEVEO que as minhas malas não estavam lá. Foi nesse momento que eu me dei conta que o imbecil que tinha esquecido as malas na esteira em Toronto antes da alfândega era EU. O desespero começou a bater. Lá estava eu em um país onde eu não dominava a língua, sem as minhas roupas e sem saber como eu iria fazer para chegar na universidade que eu iria me hospedar. O aeroporto já estava vazio naquele momento, pois eu acho que o vôo que eu peguei era o último do dia. Tentei explicar no balcão da cia aérea o que tinha acontecido. É claro que eles não entenderam nada, pois eles não falavam português. E olhe que eu me esforcei um monte. Falava bem devagarzinho. :D Foi quando veio uma menina na minha direção e me perguntou em português: “Você é o Fernando?” Acho que foi Deus que mandou a menina. Ela estudava na mesma universidade que eu ia estudar e aí pediram para ela ir me buscar, pois eu não tinha dado sinal de vida. Ela então explicou a situação para o pessoal da AirCanada e minhas malas foram devolvidas depois de uns 3 dias. Claro que por 3 dias eu passei com a mesma roupa. Consegui só arranjar umas cuecas doadas pelo pessoal da residência estudantil que eu fiquei hospedado.

Vocês pensam que esta estória se estanca por aqui? hehehe. Na verdade sim, Mas queria deixar um bônus. Lá vai. Como eu nunca tinha morado longe da mamãe, lavar roupa era uma coisa que eu não tinha a mínima idéia de como funcionava. Depois que eu voltei ao Brasil descobri um cômodo perdido na minha casa. A tal da lavanderia. :P Enfim, voltando à estória, eu simplesmente usava as roupas e ia empilhando em um monte no meu quarto. Como você deve imaginar chegou um momento onde eu tinha usado todas as minhas roupas. Neste momento eu tinha 2 opções: comprar mais roupas ou enfrentar a famigerada máquina de lavar. Como a verba era restrita acabei por optar pela segunda opção. E lá fui eu com a minha amiga Sandra (aquela que foi me buscar no aeroporto) para a lavanderia. Ela me deu toda a explicação como, por exemplo, não misturar roupas brancas com as coloridas. Me mostrou como funcionava a máquina de lavar e onde eu deveria colocar os 75 centavos para que a máquina funcionasse. Feito isso ela foi para a sala de televisão e eu fiquei entretido nos procedimentos que acabara de aprender. Após terminar os procedimentos eu fui para a sala de televisão e ao encontrar a Sandra ela me fez a seguinte indagação: “Fernando, eu reparei que você não tinha uma caixa de sabão em pó. Como você fez para colocar o sabão, hein?” Eu prontamente respondi: “Que sabão? Precisa disso? Isso não está já incluso nos 75 centavos que eu coloquei na máquina?” Mais uma vez a obviedade cruza o meu caminho. Era claro que eu estava lavando roupa sem usar sabão. Aí caímos na gargalhada e ela me disse que os 75 centavos eram só para a máquina funcionar.

Isso tudo ocorreu somente no primeiro mês. Você já deve imaginar a quantidade de “aventuras” que eu tenho guardada para contar sobre as minhas viagens, mas isso eu vou deixar para outro concurso que o Goitacá fizer.

Be wise.